terça-feira, 20 de novembro de 2007


e eu que me escrevi delícias
de fome literária me desfaço
desfaleço no cru desejo
de ler o mundo
e compor o tempo
e depois
afoita do teu apego
acaricio o pêlo
e ronrono o gato


palavras: minhas, 12.11.07
imagem: A cat in Paris, by Aguaplano @deviantart.com
=^.^=

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

trafficking is torture/i am helena

o mundo também é feito de territórios sombrios.

copiando a Denise (cujo blog é o máximo), aqui um post sobre escravidão sexual.

acesse o site da Helen Bamber Foundation e veja o filme com a atriz Emma Thompson, ilustrando o dia na vida de uma moça chamada Helena que se tornou uma escrava chamada Maria. não tenha medo de ver.

Tradução (da Denise):

"Elena achava que ninguém iria machucá-la
Elena confiava em todo mundo
Maria não confia em ninguém
Elena queria aprender inglês
Maria apanha, se disser "no"
Elena trabalhava no mercado para apoiar sua família
Maria trabalha por nada
Elena quer ajudar pessoas e ser uma enfermeira
Maria satisfaz até 14 homens por dia
Elena costumava chorar quando seu pai era duro com ela
Maria não sente mais nada
A família de Elena pensa que ela está morta
Eu, não
Eu era Elena
Eu sou Maria
Me ajude
Estou aqui

Mulheres escravizadas por traficantes de sexo perdem mais que somente seus nomes.
Tráfico é tortura."


não sei pq eu ainda me questiono sobre isso, acho que é por crer q nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus (Jah, Javé, Jeová, Ala, Tupã, ou qq outro nome de sua preferência). como pode alguém comprar um "serviço" desses? como pode alguém vender um "serviço" desses? o q passa na cabeça dos traficantes e "clientes"?

outra pergunta: será q os clientes de prostitutas "não escravas"( desde aquelas q ficam nas esquinas até aquelas consideradas de luxo) acham que as moças "escolheram" esta profissão? q são autônomas? q ninguém as extorque e ameaça? será q dormem tranqüilos?

o q há de errado com esta gente?

terça-feira, 13 de novembro de 2007

aquelas palavras do sábio re-temperaram o meu carpe diem

autofoto no topo da Table Mountain/Cape Town/SA


um dia um sábio me disse que saborear cada momento como se fosse o último faz a gente viver de fato. tenho saboreado as pessoas, os momentos e as cores, os cheiros, as palavras. assim bebo todo o seu suco, que me alimentará em momentos de saudade.

"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificaçao inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida." (Clarice Lispector)

eu disse ao sábio que a diferença entre ele e eu era que ele tinha saudade do passado imutável, enquanto eu tenho saudade do futuro moldável. como já disse antes, o melhor presente, para mim, é o futuro. num embrulho bem tosco, ou bem lindo, este é meu presente favorito.


e aí vai um recortinho do meu passado, escrito em 2006:

bem me quer rosa
bem me quer azul
meu bem me quer de qualquer cor bonita
e no meu olho a cor
de quem sorriu
e riu e gargalhou
e rodopiou no vento mais sagrado
da memória constante
do melhor presente
o futuro


_()_ namaste
quase no Cape of Good Hope, nov 2005

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

o mundo em duas voltas

sim, tenho um milhão de coisas para fazer e mais um monte que quero fazer. faço poucas, assim caminha a humanidade (em passos de formiga e sem vontade). só tenho lido artigo científico por pura obrigação, e blogs por puro prazer.

meu objetivo de vida é conquistar 24 territórios à minha escolha, sempre foi e sempre será viver o maior número de vidas sem ter que acreditar em reencarnação. tô longe desse objetivo, não é à toa que o refrão com que mais me identifico é "but i still haven't found what i'm looking for", e o que melhor me define é "eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo". tudo bem, ficar plantada até aqui fez de mim quem sou, mas a brincadeira perdeu a graça. terminando o mestrado ( que não me fez nem fará mestre em nada) vou comprar uma mala, ou um mochilão, e me dou um ano pra começar a conquistar os 21 territórios que faltam.



nunca disse aqui, mas meu pai é cigano. temos em comum o bicho carpinteiro. agora ele tá mochilando em algum ponto da europa, depois volta pra itacaré onde é sua base e em dezembro vem pra floripa. tenho orgulho de ter um pai que por muitos pode ser considerado maluco. é nada.


ontem vi o filme O mundo em Duas Voltas, da família Schurmann. eles sim são completamente malucos. loucos de contentes como diria meu finado avuelo de bagé. vendo o filme ontem, e chorando do começo ao fim de identificação com o bicho carpinteiro deles (eu mareio totalmente, barco só pra olhar de fora, mas adoro avião então tá blz) , fiz um trato com Deus: não permita Ela que eu morra sem que eu ponha os pés na Polinésia. Deus não falou nada e quem cala consente. os schurmann falando que era duro sair de lá e eu gritando por dentro FICA FICA, faz que nem Gauguin. mas ficar é um verbo impensável pra eles. está se tornando igualmente impensável para mim.


outra coisa, sei que voltar é a melhor sensação do mundo. e pra voltar é preciso ir. se toda longa viagem começa com um passo, este é o meu. decidi navegar, levantei a âncora, mesmo que demore três anos pra chegar (a)o(s) meu(s) destino(s).

_()_namaste

terça-feira, 30 de outubro de 2007

quem tem raíz é árvore

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver” . Amyr Klink

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

problemas técnicos de novo, q beleza !

não me lembro de ter postado aqui nenhum dos meus escrivinhados. não tenho escrito nada que não seja acadêmico (AKA chato) há muito tempo. Dois poeminhas velhos e amarelados:

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two sisters

some people fade as ghosts from the memory of my retina
in the memory of others they lay
and make me believe they really are
but to me not even memories
the are not for them
less
the empty
vaccum

writing to absence
please forgive me
whoever you are not
it was never my intention
to hurt your unmemory

Voice will say it's out of spite
i only wish
but in fact it's a tribute to Amnesia
(the sympathetic sister of Insomnia)
the one I truly love
and can't remember if i've met

the sister, however
inebriated stalker
she loves me i know
and seeks for my indecent companion
whenever i am in bed


go away i please please her
never remembering
she is deaf

>

>

eu não sou de nada
e não escrevo sobre a fome
a desconheço
e se conhecesse não escreveria
comeria o lápis
a celulose
comeria as palavras
pois todas inúteis
inertes
servem ao nada
que sou eu diante do esforço
do passo não dado
do suor não derramado
que faria o pão
que mataria a fome
que não existiria para ser escrita sobre

>

>

tô precisando ler pra escrever alguma coisa que preste.



_()_namaste