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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Wasteland/Vik

Acabei de voltar do cinema, e ainda estou processando 'Wasteland' ou "Lixo Extraordinário', o filme do Vik Muniz.

Ainda não consigo verbalizar muito, mas o importante é: IMPERDÍVEL.

Tirei o chapéu e o topinho da cabeça para Vik, sua incrível equipe, os diretores e produtores, e os catadores de material reciclável.

Arte me faz ter orgulho de ser homo sapiens.

=^.^=

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Invictus

Assisti Invictus e sou obrigada a fazer um singelo comentário. O filme é muito mais do que eu esperava. Morgan Freeman está maravilhoso como Mandela.

Todo mundo ouve falar sobre o Apartheid e sobre Mandela, mas foi só em 2005, quando estive na África do Sul, que senti o que tudo isso realmente significava. Tenho um amigo 'Capetonian' (nativo da Cidade do Cabo), que é 'colored' (mistura de nativo africano com holandeses, falante de afrikaans), e ele me falou e me mostrou um pouquinho do que foi/é a segregação por lá.

Parece estúpido dizer de que cor meu amigo é, mas lá isso faz diferença. Peter é professor de economia numa universidade local, e ativista político nas questões de habitação. Muito sério, o conheci no Fórum Social Mundial em Porto Alegre, e o reencontrei lá na Cidade do Cabo. Ele me levou para ver as absurdas mansões com seus campos de golf, as townships de classe média e média baixa (onde mora sua família e uma família de amigos muito hospitaleira que me recebeu), e os squatcamps, que são como favelas improvisadas parecendo acampamentos de sem-terra. Me levou também para almoçar em 2 restaurantes bem lindos, um deles na região dos museus e universidades, onde até 1990 ele não podia pôr os pés.

Oficialmente o Apartheid acabou, mas quase todas as pessoas ainda moram nos locais antes reservados para pessoas de sua etnicidade. No bairro do Peter, por exemplo, só vi coloreds. Na praia aí embaixo, só whites (mas as mansões crescendo em volta estão cheias de pedreiros, todos negros).


Atualmente a África do Sul tem 11 línguas oficiais (das quais só consigo distinguir 3: inglês, afrikaans e khosa). E todo mundo pode pôr o pé onde quiser.

Não vou me aprofundar no assunto, pois dele não entendo muito, quero só contar uma coisinha sobre minha viagem.

Aí embaixo eu estou em Robben Island, a ilha-prisão onde Mandela ficou muitos dos seus 27 anos de cárcere, e este ao meu lado é o guia do meu tour. Ele foi prisioneiro lá durante 10 anos (não sei como ele pode querer voltar lá todos os dias), e nos contou como era sua vida por lá. Triste, muito triste. Mas, assim como Mandela, meu guia era só sorrisos.



Uma fala do filme me marcou profundamente 'Como pode um homem que perdeu 30 anos de sua vida sair do cárcere pronto para perdoar os que lhe aprisionaram?'. Eu também não entendo. Deveria ter perguntado ao meu guia.


"Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul".

William Ernest Henley (1849–1903)

sábado, 27 de junho de 2009

prom night in mississipi...

...ou 'acredite se quiser'.


Essa foto é parte de um documentário chamado Prom night in Mississipi, de 2008.

O filme relata o baile de formandos do ensino médio da escola Charleston High School, USA. O primeiro a ser integrado. Ou seja, até 2007 havia um White Prom e um Black Prom.

Inacreditável

ou

Un-fucking-believable!

Em 1997, Morgan Freeman (sim, O Morgan Freeman) se ofereceu para pagar pelo baile desde q fosse integrado, e foi ignorado. Em 2008 se ofereceu novamente e a escola aceitou. Ainda assim alguns pais brancos não permitiram q seus filhos fossem e organizaram uma festa a parte.

2008, gente! 2008!!!!!! não tenho pontos de exclamação suficientes!!!!!!!!!!!!!!!

E se vc pensa q essa escola era a única nananinanão. Isso era uma tradição desde antes da integração obrigatória por lei, em 1954. As classes integraram, mas o baile anual não!

Com licença, agora vou vomitar.

ps: preciso achar esse filme.






domingo, 14 de setembro de 2008

carta para Fernando Meirelles



ainda q não as leia, só quero te dizer umas breves palavras:

tua película não perde nada para o livro do nobel português!

isso é raro, é poético, inspirador.

o livro é um chute no estômago da moral humana, o filme também.
é de uma beleza nauseante, o filme também.
fede, grita e chora, esperneia, o filme também.

não sou crítica de cinema nem literatura (graçasadeus), e minha opinião é feito língua virgem em degustação de vinhos. mas amo Saramago. e meu amor me põe mais perto dos abomináveis puristas, sempre a adorar as estátuas petrificadas do deus-literatura. e mesmo assim, ainda assim, quem sabe por isso, amei cada segundo do teu filme. isso deve valer alguma coisa.

quero te dizer q também durante a minha sessão, como nos teus testes de tela, várias pessoas se retiraram ao começo daquelas cenas temidas. não devem ter lido o livro, penso eu. ainda q bem feitas e profundas, tuas cenas estavam light. enquanto Saramago nos tortura a nós e as mulheres por horas, tu nos poupa a uns poucos minutos. chorei pouco, desesperei quase nada. esse filme não é para qq um, como o livro também não.

ao fim da película, Saramago te declarou estar tão feliz quanto ao acabar de escrever o livro. eu, por minha vez, fiquei tão mentalmente paralisada ao fim das cenas quanto ao fim das páginas. só as mãos se mexeram, num solo de palmas, na sala em evacuação.

por fim te agradeço, nunca havia sonhado um dia ver a cegueira.


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quinta-feira, 12 de junho de 2008

pãpãrãpãa pã pã pãã pãpãrãpãa pã pã pã pã pã


ele usa chapéu
ele mata no chicote
ele é PhD
ele é arqueólogo
ele fala e lê muitas línguas
ele viaja pelo mundo
ele recupera a direção de veículos em movimento
ele kick ass depois dos 60
ele é filho do Sean Connery
(só essa última razão já era suficiente para amar)

call me a nerd, but I just love Indy

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sábado, 7 de junho de 2008

a única crítica q importa



chorei ao ver o Meirelles ganhar o dia
e ao ver a cara do meu escritor preferido chorando

(não sei quem fez o vídeo, mas pra quem não entendeu é o Saramago imediatamente após assistir Blindness)




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quarta-feira, 7 de novembro de 2007

o mundo em duas voltas

sim, tenho um milhão de coisas para fazer e mais um monte que quero fazer. faço poucas, assim caminha a humanidade (em passos de formiga e sem vontade). só tenho lido artigo científico por pura obrigação, e blogs por puro prazer.

meu objetivo de vida é conquistar 24 territórios à minha escolha, sempre foi e sempre será viver o maior número de vidas sem ter que acreditar em reencarnação. tô longe desse objetivo, não é à toa que o refrão com que mais me identifico é "but i still haven't found what i'm looking for", e o que melhor me define é "eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo". tudo bem, ficar plantada até aqui fez de mim quem sou, mas a brincadeira perdeu a graça. terminando o mestrado ( que não me fez nem fará mestre em nada) vou comprar uma mala, ou um mochilão, e me dou um ano pra começar a conquistar os 21 territórios que faltam.



nunca disse aqui, mas meu pai é cigano. temos em comum o bicho carpinteiro. agora ele tá mochilando em algum ponto da europa, depois volta pra itacaré onde é sua base e em dezembro vem pra floripa. tenho orgulho de ter um pai que por muitos pode ser considerado maluco. é nada.


ontem vi o filme O mundo em Duas Voltas, da família Schurmann. eles sim são completamente malucos. loucos de contentes como diria meu finado avuelo de bagé. vendo o filme ontem, e chorando do começo ao fim de identificação com o bicho carpinteiro deles (eu mareio totalmente, barco só pra olhar de fora, mas adoro avião então tá blz) , fiz um trato com Deus: não permita Ela que eu morra sem que eu ponha os pés na Polinésia. Deus não falou nada e quem cala consente. os schurmann falando que era duro sair de lá e eu gritando por dentro FICA FICA, faz que nem Gauguin. mas ficar é um verbo impensável pra eles. está se tornando igualmente impensável para mim.


outra coisa, sei que voltar é a melhor sensação do mundo. e pra voltar é preciso ir. se toda longa viagem começa com um passo, este é o meu. decidi navegar, levantei a âncora, mesmo que demore três anos pra chegar (a)o(s) meu(s) destino(s).

_()_namaste

quinta-feira, 11 de outubro de 2007


assisti ontem este filme traduzido como "morte no funeral". hilário. gosto de rir em filme que não faz pensar muito, mas comédia abobada americana nunca me fez rir. este humor é mais inglês. fui sem saber nada sobre o filme (odeio sinopse, adoro surpresa) e me surpreendi. é dirigido pelo Yoda. é, pelo Yoda, A.K.A. Frank Oz. recomendo, mas leve sua bombinha para asma. e com você a força esteja.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Voltei para falar da cegueira

e das mulheres.

Fernando Meirelles está filmando o ensaio sobre a cegueira, e eu estou ansiosa para ver este filme.

já disse que as vezes me chamam de feminista, talvez eu seja, mas não sou men-hater de maneira alguma. poréeeeem, lendo o ensaio fica difícil não odiá-los por alguns instantes. são vis e covardes, uns fracotes mesmo (meirelles/saramago os chamam de inúteis). e as mulheres, como na vida, fortes e sábias.

espero que Meirelles as/os mantenha como no livro. confio que sim.

quem não leu, leia. quem não visitou, visite.

Meirelles, Moore e Ruffalo filmando em São Paulo (foto: E.Pessoa, Estadão)