As pessoas inventam mil desculpas para não adotar um bichinho. ‘Não é da raça que eu quero’, ‘não sei a procedência, pode ter alguma doença’, ‘já vem adulto, não dá pra criar do jeito que eu quero’, ‘vai fazer muita bagunça’, e tantas outras mentiras vazias que só servem para apaziguar a consciência de quem no fundo, no fundo, sabe que vai deixar de fazer uma coisa muito boa por puro capricho.
‘Não é da raça que eu quero’ é uma das minhas despreferidas. Como assim? Você deve achar bonito aquele pessoal que encomenda bebê ao geneticista, pra ter olho assim, cabelo assado, pra ser a cara de não sei quem. Junto com ‘não sei a procedência, pode ter alguma doença’ então, é risível! O seu filho biológico, que você sabe a procedência, não pode ter doenças? Se fosse assim criança nenhuma adoeceria, não existiria hospital infantil. E o gato persa com pedigree, da minha amiga, que morreu aos 8 meses de ataque cardíaco? Ele era tão puro, tão puro, com a procedência tão nobre, que o coração era cheio de defeitos genéticos. E o York de outra amiga, também puro, que já ‘veio de fábrica’ com demodécia?
O que eu mais adoro desmistificar é ‘já vem adulto, não posso criar do jeito que eu quero’. Eu adotei um gato macho adulto de rua, e ele é um lord. Já chegou aqui em casa e foi direto pra caixinha. Obedece aos comandos de ‘não’, não sobe onde não deve, fica quietinho pra tomar banho, é meeeeeeeega carinhoso, super caprichoso. Enfim, eu o chamo de ‘gato perfeição’. E já veio pronto. Adotei outra gatinha quando era bem miúda, desmamada antes do tempo. Desde pequena a gente tentou de tudo para educar, borrifava aguinha nela quando subia onde não devia, soprava na carinha quando tentava roubar nossa comida, tinha comandos específicos e consistentes. Ela é intreinável, não tem medo de nada, mastiga tudo que vê, adora ficar de castigo (ninguém merece!). Quem acaba dando banho nela é o outro gato, o que já veio adulto. Mas também é meeeeeeeega carinhosa, o que compensa todos os outros defeitos.
E a bagunça? Bem, se você não quer bagunça não tenha animais, e não tenha filhos. Melhor, more num hotel com camareira, e perca a melhor coisa do dia: chegar em casa e ser recepcionado por aqueles seres(inhos) de alma totalmente pura, que passaram o dia todo lhe esperando pra subir no seu colo, lamber seu rosto e lhe dar o amor mais incondicional que você já teve.
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